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Sunday, August 27, 2006

PASCOAL MEIRELLES - QUARENTA (2006)


Músicos:

Faixas:

Não toco nenhum instrumento, mas sempre achei que de todos eles a bateria é o mais difícil de se pilotar. Dois músicos brasileiros me encantam pela maneira própria de encarar batera e baquetas com naturalidade absoluta, como se estivessem fazendo o serviço mais fácil do mundo. Um é Wilson das Neves. O outro é Pascoal Meireles (importante registrar que os dois são também compositores), que está de disco (ótimo!) novo na praça. Quarenta se propõe a mostrar “o melhor” (devem ter tido enorme trabalho) do Pascoal Meirelles Trio, do Pascoal Merelles Sexteto e do grupo Cama de Gato. De lambuja, uma participação especialíssima do trumpetista Cláudio Roditi. O CD, que tem canções de Pascoal e de compositores homenageados do naipe de Tom Jobim, Edu Lobo e Luis Bonfá, traz milhares de notas preciosa e uma nota triste: o texto enxutíssimo de apresentação (o último que ele fez), assinado pelo querido Roberto M. Moura, faz a gente sentir uma grande saudade dele. (Luís Pimentel)

Mestre da bateriaUm dos maiores bateristas do Brasil, Pascoal Meirelles lança disco resumindo trajetória de 40 anos

O mineiro Pascoal, co-fundador do lendário grupo Cama de Gato, contribuiu com grandes artistas da MPB: `Música é um esporte coletivo´
Sabe aquele arranjo de bateria cheio de suingue que permeia a canção Madalena, composição de Ivan Lins, estrondoso sucesso na voz de Elis Regina? Tem a marca de Pascoal Meirelles. E o inconfundível balanço de O que é o que é, clássico do repertório de Gonzaguinha? A base rítmica é invenção de Pascoal. Escadas da Penha, famosa parceria de João Bosco e Aldir Blanc? Outra vez a contribuição inconfundível do baterista mineiro, que acaba de lançar o CD Quarenta que, como o nome sugere, comemora quatro décadas de lida com as baquetas.
O disco faz um apanhado da carreira do instrumentista através de três diferentes aspectos da sua sonoridade, representados pelo lendário Cama de Gato (grupo do qual é co-fundador, e que inovou nos anos 80 ao tocar apenas composições próprias), e os mais recentes Pascoal Meirelles Sexteto, criado há 10 anos, e o Pascoal Meirelles Trio, reunido há três.
"O Trio remete aos anos em que comecei a tocar bateria, muito fascinado pela Bossa Nova. No Sexteto, desenvolvi meu trabalho como compositor e arranjador. No Cama, exerço a democracia no pleno sentido da palavra, somos todos compositores e cada um apresenta seu trabalho com a leitura de grupo", delineia Meirelles.
Além das composições próprias (escreveu metade das 14 faixas do disco), Pascoal homenageou grandes autores da MPB com músicas cuja interpretação demanda do baterista muita habilidade.
É o caso de Manhã de Carnaval (Luís Bonfá/Antonio Maria), Ponteio (Edu Lobo/Capinan), Porque também não fui (André Neiva) e Nuvens douradas, Triste, Chovendo na roseira, Brigas nunca mais, estas últimas de Tom Jobim. Todas emanando o estilo de Meirelles, marcado pela combinação de MPB, jazz e Bossa Nova. "Sou filho do samba-jazz", resume, referindo-se ao ritmo popularizado com a BN.
O baterista contou com as participações de Cláudio Roditi (trompetista brasileiro radicado nos Estados Unidos há mais de 30 anos) e de Mingo Araújo - percussionista potiguar com quem divide o lado rítmico das composições. Escritas em diferentes épocas, as músicas receberam uma leitura "ano 2000", brinca Meirelles.
Só e acompanhando - Pascoal Meirelles se orgulha de ter contribuído para o êxito de grandes artistas da MPB. "Me satisfaz muito fazer sucesso junto com o artista. O trabalho do acompanhante é muito difícil também porque o sucesso de uma música depende da levada que a gente está fazendo", pontua Pascoal, que já acompanhou muita gente boa como Paulo Moura, Wagner Tiso, Maysa, Chico Buarque, Danilo Caymmi, Edu Lobo, Luís Bonfá, Cláudio Roditi, e gravou Terra Brasilis, álbum duplo lançado em 1980, no qual o maestro Tom Jobim registrou os maiores sucessos da carreira.
Mas foi somente após a morte de Gonzaguinha, há 15 anos, que Pascoal decidiu dedicar-se exclusivamente à carreira solo e ao trabalho com o grupo Cama de Gato e, em seguida, com o Pascoal Meirelles Sexteto e o Pascoal Meirelles Trio. O baterista lembra que, já naqueles anos em que acompanhava Gonzaguinha - foram 12 anos de trabalho juntos - o cantor e compositor não criava problemas quando o instrumentista precisava dar um tempo na banda e fazer seus próprios shows solo ou com o Cama de Gato. "A partir daí a música instrumental virou meu ganha-pão", lembra o músico, que estudou no renomado Berklee College of Music, em Boston (EUA).
Solando ou acompanhando, Pascoal está igualmente satisfeito. Até porque preza muito o aspecto coletivo do seu trabalho. "Música é um esporte coletivo. Não dá pra fazer sozinho. Você pode ser um bom solista, mas tem que estar dentro do contexto para que a música tenha apelo e seja mais inteligível", determina.
Batidas diferentes - Meirelles escolheu seu instrumento um pouco por timidez, por não gostar de aparecer, mas também por ter se sentido atraído pelas diversas alternativas oferecidas, apesar das limitações em termos de frases melódicas e timbres. À medida que foi dominando a bateria, vieram naturalmente a vontade de compor e seguir a carreira solo.
"A bateria é um instrumento de infinitas possibilidades. A cada dia surgem novos bateristas com diferentes formas de tocar. O instrumento tem tudo para inovar no lado polirítmico. O baterista tem dois braços e duas pernas e, se levar a sério essa coordenação, pode conseguir formas de tocar surpreendentes", diz, citando, como exemplo, o baterista cubano Horacio (El Negro) Hernandez, considerado um virtuoso pela sua ambidestria.
Pascoal se sente satisfeito quando é listado entre os mais importantes bateristas brasileiros, mas não assume o título. "Eu curto isso, fico feliz, mas minha preocupação maior é desenvolver o instrumento e a minha música dentro dele", ameniza o músico, que acaba de lançar o DVD Triunvirato, no qual apresenta suas composições para três baterias, tocando ao lado de Carlos Balla e Kleberson Caetano. Este mês, Pascoal e seus companheiros de Cama de Gato gravaram, no Rio de Janeiro, o DVD comemorativo dos 20 anos de carreira do grupo, contados a partir do lançamento do primeiro disco Cama de gato (1986), "um retrospecto da carreira com os sucessos do Cama gravados em seis discos". (Giovanna Castro)

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