WILSON DAS NEVES - BRASÃO DO ORFEU (2004)

Músicos: Wilson das Neves (voz, tamborim, ganzá, caixa e bateria), Trambique (surdo, repique, ganzá e tamborim), Chacal (xequerê, zambê e batá), Celsinho Silva (pandeiro), André Tandeta (bateria), Jorge Helder (baixo), Zeca Assumpção (baixo), Maurício Carrilho (violões de 6 e de 7 cordas), Luiz Cláudio Ramos (violão), João Rebouças (piano), Cláudio Jorge (violão), Sergio Carvalho (piano), Leandro Braga (piano), Luciana Rabello (cavaco), Paulinho Trumpete (flugel horn), Marcelo Bernardes (flauta e sax tenor), Franklin da Flauta (flautas sol e dó), Andrea Ernest Dias (flauta), Jesse Sadoc (flugel horn), Gabriel Grossi (gaita), Pedro Paulo Malta, Alfredo Del Penho, Ana Rabello Pinheiro, Ignez Perdigão, Mariana Bernardes, Bia Pontes e Anna Paes (coro). Arranjos de Jorge Helder, Luiz Cláudio Ramos, João Rebouças, Cláudio Jorgé e Leandro Braga.
Faixas:
WILSON DAS NEVES
Nascido no Rio de Janeiro, em 1936, o instrumentista, cantor e compositor Wilson das Neves foi iniciado na música aos 14 anos de idade, pelo percussionista Edgar Nunes Rocca, “O Bituca”. Aos 21, tornou-se baterista da Orquestra de Permínio Gonçalves e mais tarde acompanharia o Conjunto Ubirajara Silva, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Conjunto Ed Lincoln e as orquestras da TV Globo e TV Excelsior. Em 1968, lançou seu primeiro disco, Juventude 2000. Também fazem parte de sua discografia os discos Som Quente É o Das Neves (1969 e 1976), Samba-Tropi - Até aí Morreu Neves (1970) e O Som Sagrado de Wilson das Neves (1996). Tocou com alguns dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos, entre eles Elizeth Cardoso, Chico Buarque, Elza Soares, Roberto Carlos, Elis Regina e Wilson Simonal. Em 2004, o selo Quelé (uma parceria entre as gravadoras Biscoito Fino e Acari Records) lança Brasão de Orfeu, que conta com parcerias com Paulo César Pinheiro, Aldyr Blanc e Claudio Jorge, entre outros.
(fonte: Biscoito Fino)
BRASÃO DO ORFEU
Considero o Wilson das Neves um dos maiores bateristas de samba. Podemos colocá-lo ao lado de outros grandes nomes do gênero, como Luciano Perrone, Edison Machado e Milton Banana. Os quatro com estilos bem diferentes um do outro, por sinal. Não é à toa que tenha trabalhado com Chico Buarque e Elis Regina, por exemplo. Confira no DVD "Vinícius" o talento deste instrumentista, de estilo suave e cheio de balanço, porque no seu CD "Brasão do Orfeu" você terá uma surpresa, tal como eu tive, vai conhecer mais o lado de cantor, de percussionista e de compositor do que o de baterista. Apenas em duas faixas (as duas últimas) ele assume a bateria. Nada contra o André Tandetta, que gravou as baterias das outras faixas. Pelo contrário, conheço o trabalho do André desde o tempo daqueles saudosos shows da Rio Arte Instrumental, no Parque da Catacumba, nos anos 80, e sempre gostei dele, mas comprei o CD pensando em ouvir o Wilson tocando bateria. Deveriam colocar um aviso na capa: olha, o Wilson praticamente só canta no CD.
CULTURA CARIOCA
Por falar em Rio Arte, a prefeitura do Rio de Janeiro, naquela época, tinha três projetos musicais muito importantes, que abriram caminho para vários músicos. Eram eles o próprio Rio Arte Instrumental, no Parque da Catacumba; o Som nas Ondas, no Parque Garota de Ipanema e o Palco Sobre Rodas, que percorria a cidade. Onde estão estes projetos?
Investir em cultura é gerar empregos, é atrair turistas, é diminuir a violência e promover outros benefícios. O Rio perde cada vez mais a sua importância cultural no cenário brasileiro, não por mérito de outras cidades, mas por falta de investimentos na área. Qualquer dia deixaremos de ser a capital cultural do país e a boa imagem que representamos lá fora.
CRÉDITOS
Agora, falando em Bituca, que foi também meu professor, no CD do Radamés Gnattali (Radamés Gnattali - 1976), relançado em 1999, tem nos créditos o próprio Bituca e ainda o Luciano Perrone. Pena que não indicam que faixas cada um deles gravou. Dizer que eles participaram do trabalho já foi uma exceção, pois costumava-se ignorar os músicos completamente ou, no máximo, colocar apelidos vagos como Chiquinho no piano, Luizinho no baixo e Zezinho na bateria.
Colocava-se o nome até de quem servia o cafezinho no estúdio, mas o nome dos músicos... É por isso que abro cada "capítulo" deste blog justamente com o nome de meus companheiros de profissão.
(Sérgio Conforti)
BRASÃO DO ORFEU - REVIEW IN ENGLISH
Brasão de Orfeu is the name of the second CD by the drummer, Wilson das Neves, on which he sings his own songs – “the songs are mine, the words are of the poets,” he explains. The CD will be released by the label, Quelé – a partner of Biscoito Fino with Acari – and there will be a show in the Centro Cultural Carioca on the 27th and 28th of July. On the first CD, Wilson das Neves honors Ciro Monteiro. In Brasão de Orfeu, which is also the name of the song he wrote together with Paulo César Pinheiro, homage is made to the School of Samba Império Serrano, his favorite school. The music itself is imperial, a combination of Aldir Blanc and Elizeth Cardoso on the song, A Divina, also with Paulo César Pinheiro. Of the 13 songs on the CD, 8 are done with Paulo César Pinheiro. With Nei Lopes, Wilson presents Lupiciniana, a reference to Lupicínio Rodrigues; with Ivor Lancellott, Enganos. De Muito Longe is done in partnership with Delcio Carvalho and Fonte de Prazer, with Cláudio Jorge.
BRASÃO DO ORFEU POR OUTRO LADO
Além de um exímio baterista, compositor e, agora, cantor, Wilson das Neves, 68 anos, é um figuraço. Flamengo e Império Serrano de coração, e dono do famoso bordão “ô, sorte!”, Wilson mostra seu bom humor ao dizer porque resolveu lançar Brasão de Orfeu (Quelé), o segundo CD em que sai da “cozinha” e assume os vocais.
“Eu não resolvi nada, resolveram por mim!”, disse o músico, em entrevista coletiva no Rio. “Fui convidado pela Luciana (Rabello, uma das sócias do selo Quelé), e fiquei feliz da vida de ser lembrado. Eu queria gravar minhas músicas, mas procurava alguém para cantá-las. Quando ouviram meu primeiro disco (Som Sagrado, lançado pela Cid em 96), disseram que, se era para cantar daquele jeito, ia eu mesmo!”
Aliás, o primeiro disco de Wilson das Neves rendeu a ele o prêmio Sharp de revelação como cantor. Ao lançar Brasão de Orfeu dentro do Festival Quelé, realizado no Centro Cultural Carioca – com shows também de Paulo César Pinheiro (confira as fotos de ambas as apresentações na galeria) – o sambista mais uma vez esbanjou bom humor ao falar do assunto.
“Dizem que este é meu segundo disco solo. Solei durante anos a bateria e nunca disseram nada! Aos 60 anos, fui ganhar um prêmio de cantor revelação. Tô achando que sou melhor cantor que baterista”, disse ele, para risos gerais.
Mesmo falando isso em tom de brincadeira, em Brasão de Orfeu Wilson das Neves deixou o velho ofício para se dedicar ao microfone. Em apenas duas das 14 faixas do disco ele toca bateria, mesmo assim “sob protestos”, como disse na coletiva. Nas demais, assume as baquetas André Tandeta, que também o acompanha nos shows.
“Ele é ótimo, não me atrapalha em nada. Não dá para fazer as duas coisas. Só se eu fosse o Phil Collins. Mas não estou com esse futebol todo”, brincou Wilson, não escondendo, no entanto, que sua paixão continua sendo a bateria. “Eu gosto de ir para o palco, mas isso nunca me fascinou. A bateria é a minha amada-amante. O Paulo César Pinheiro (principal parceiro dele no CD) sempre fala para eu parar com essa história de dizer que não sou cantor. Mas não adianta, eu não me assumo mesmo. Esse negócio de cantar é brincadeira. Também não sei se sou um grande compositor. Eu sou músico.”
Um músico que já tocou e gravou com mais de 500 pessoas, entre elas nomes importantes da música brasileira como Elis Regina, Elizeth Cardoso, Lupicínio Rodrigues, Clara Nunes, Chico Buarque, Cyro Monteiro e Ataulfo Alves.
“Só não gravei na primeira missa!”, disse Wilson, disposto a encarar novos desafios. “Eu sou que nem táxi, toco com quem me chama. O músico é assim mesmo, um cigano.”
Algumas dessas pessoas que fizeram parte da história do sambista estão presentes em Brasão de Orfeu. Jóia Perdida e A Divina, parcerias com Paulo César Pinheiro, foram feitas, respectivamente, para Ataulfo Alves e Elizeth Cardoso. Já Lupiciana, melodia de Wilson e letra de Nei Lopes, faz referência a Lupicínio Rodrigues.
“Não são homenagens, e sim agradecimentos a quem tanto me ensinou”, explicou o sambista, que agora, depois de tantos ensinando muita gente a tocar bateria, agora dá uma aula de como cantar samba.
(Marcos Paulo Bin - 31JUL2004 )
